• Carolina Aita Flores

Fobia Social é muito mais do que timidez


Essa semana vamos conhecer o Transtorno de Ansiedade Social, também conhecido como Fobia Social. Como o próprio nome já diz, a fobia social se trata de um quadro em que a pessoa se sente desconfortável, teme e evita situações sociais. As principais situações temidas ou evitadas são as de falar em público ou interações mais formais (70%), falar informalmente (46%), afirmarem o que pensam (31%) e serem observadas pelos outros (22%).


A ansiedade social é um dos transtornos de ansiedade mais comuns e também um dos mais prejudiciais, visto que as pessoas que sofrem desse problema são menos propensas a se casarem, mais vulneráveis a ter depressão, têm prejuízos em suas carreiras profissionais e podem abusar de álcool. A fobia social pode ter início entre a infância e o final da adolescência e seu curso é crônico, ou seja, pode acompanhar o indivíduo ao longo de sua vida.


Mas de onde vem essa ansiedade? Antigamente, quando vivíamos em tribos, algumas pessoas adotavam um comportamento submisso visando provar aos demais membros da tribo que não eram uma ameaça. Assim, os humanos primitivos que não desafiassem os mais dominantes tinham, provavelmente, mais chances de sobreviver.

Até hoje carregamos resquícios desse comportamento submisso e uma certa quantidade de comportamento de deferência passou a fazer parte da nossa personalidade. Então, atualmente, evitar as interações sociais pode, para alguns, ter sido a maneira mais simples de reduzir o risco de confronto.


Além de nossa história evolutiva, outro fator que está relacionado ao aparecimento da fobia social tem a ver com a história familiar. As pessoas que sofrem de fobia social tendem a vir de famílias com um histórico de conflitos retidos, isto é, havia tensões em casa, mas ninguém foi estimulado a expressar seus sentimentos. O transtorno parece estar ligado aos pais, especialmente às mães, que eram nervosos, deprimidos ou respondiam menos ao sofrimento das crianças.


Para compreendermos melhor o funcionamento da ansiedade social, é importante entendermos como é o pensamento das pessoas com esse transtorno. A essência do problema é o medo de ser avaliado negativamente pelos outros. Esse medo é o que torna quase todo encontro social repleto de ansiedade: falar em público, pedir informações, sair para jantar, se aproximar de pessoas do sexo oposto, fazer pedidos, usar banheiros públicos, falar em sala de aula, fazer uma ligação, ser apresentado a pessoas novas, submeter-se a entrevistas de emprego, apresentações e festas.


Em qualquer uma das situações anteriores, a pessoa imagina a possibilidade de tropeçar, não saber o que falar ou falar uma bobagem, parecer um bobo ou ser criticado pelas pessoas. Como resultado, a pessoa tende a tremer, ficar vermelha, suar, gaguejar, ficar com a boca seca ou ter tiques nervosos. Quando fala, pode até se atrapalhar ou ter um branco. Além disso, teme que os outros percebam esses sinais e o julguem por eles, o que só aumenta a intensidade da ansiedade.


Devido ao medo do julgamento e ao desconforto que imagina que irá sentir em situações sociais, a pessoa com fobia social tende a evitar os encontros sociais sempre que possível. Ela pode estar só e triste, mas isso parece de alguma maneira mais seguro do que interagir com outras pessoas. Ela se acostuma a uma vida de isolamento.

Outra característica de pensamento das pessoas com fobia social é um foco excessivo em si mesmo. As pessoas com ansiedade social têm uma imagem negativa de si. A combinação entre a imagem negativa de si e o foco excessivo em si mesmo aumenta o pensamento autocrítico em geral.


Se você sofre com esse transtorno, saiba que um dos pontos mais importantes a se entender sobre a ansiedade social é que, embora ela pareça dizer respeito ao que as outras pessoas pensam de você, na verdade, remete a algo mais profundo: o que você pensa de si mesmo. Sim, as pessoas com fobia social se preocupam com as opiniões dos outros, mas todos nós nos preocupamos e não há nada de errado nisso, isso é até bom para que vivamos bem em sociedade.


A diferença é que as pessoas que sofrem com isso acreditam ser, na verdade, inadequadas, indignas, inferiores, incompetentes e entediantes. Uma barreira constante de autocrítica está presente em suas mentes e é isso, mais do que qualquer outra coisa, que aciona a ansiedade social.


As pessoas com ansiedade social muitas vezes sentem que não há esperança em mudar, que isso é parte de sua natureza. Seu impulso mais forte é o de evitar o estresse da interação social. A ideia de se submeter a essa interação, quando além do necessário, pode lhes parecer insuportável.


A boa notícia é que é possível aprender a lidar com sua ansiedade social e superar as dificuldades associadas a ela. Para isso, a Terapia Cognitivo-Comportamental é um excelente tratamento, visto que visa desafiar os pensamentos que sustentam a insegurança social. Porém, para fazer essa mudança você terá que experimentar um desconforto moderado. Você terá que se forçar a participar de situações sociais difíceis, mesmo quando sua vontade for de fugir delas.


Por outro lado, os benefícios decorrentes de se libertar da ansiedade social incluem não só um aumento da sensação de conforto em situações sociais, mas também a liberdade de ser mais assertivo, ter maior efetividade no trabalho, melhorar as relações interpessoais e aliviar a solidão.


Autora: Carolina Flores, psicóloga do CTC


Referência:

LEAHY, R. L. Livre de ansiedade. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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