• Carolina Aita Flores

O que faz uma Psicóloga Perinatal?



Talvez você já saiba ou imagine o que faz uma Psicóloga Clínica, aquela que realiza terapia com os pacientes no consultório seguindo uma certa abordagem, mas já ouviu falar em Psicóloga Perinatal? Para entender o que faz uma psicóloga perinatal, primeiro quero te explicar um pouco sobre perinatalidade.


O período perinatal (perinatalidade) envolve os fenômenos que estão em torno do nascimento, como o planejamento familiar, as tentativas de gravidez, a gestação, o parto e o puerpério. A Psicologia Perinatal, ou Psicologia Obstétrica, é o ramo da psicologia que estuda esse período, incluindo as situações de perda perinatal (aborto ou óbito fetal), má formação fetal, gemelaridade, adoção, infertilidade orgânica ou psicogênica, reprodução assistida, saúde mental materna, vinculação mãe-bebê, conjugalidade e outros aspectos da parentalidade.


Assim, a Psicologia Perinatal é uma área de atuação e de produção de conhecimento referente às questões da perinatalidade e da parentalidade. Preocupa-se em conhecer os fenômenos psicológicos que envolvem o nascimento, bem como dispõe de técnicas para prevenção de alterações emocionais significativas próprias desse período, como a ansiedade, estresse e depressão. O psicólogo perinatal pode atuar em hospitais, maternidades, centros de saúde e na clínica, e o atendimento pode ser individual, de casal, familiar ou grupal.


No Brasil, Vera Iaconelli, a principal expoente da área, cunhou o termo Psicologia Perinatal em 2007 e o estudo desse campo permitiu o desenvolvimento de um recurso valioso para a saúde mental da gestante: o pré-natal psicológico. Essa modalidade de tratamento utiliza técnicas para o alívio da dor do parto, oferece acolhimento para a gestante, ajuda no esclarecimento de dúvidas sobre o ciclo gravídico-puerperal, promove o bem-estar emocional durante a gestação, reduz estresse e ansiedade, permite que sejam trabalhados medos relacionados à gravidez e ao parto, previne depressão pós-parto e prepara a mulher para o puerpério e a vinculação com o bebê, entre outros benefícios.


O pré-natal psicológico é um recurso terapêutico realizado concomitantemente com o pré-natal obstétrico. Tem caráter psicoterapêutico e oferece apoio emocional, discute soluções para demandas que podem surgir no período gravídico-puerperal, como aquelas relacionadas aos mitos da maternidade, à sua idealização, à possibilidade da perda do feto ou bebê, à gestação de risco, à malformação fetal, ao medo do parto e da dor, aos transtornos psicossomáticos, aos transtornos depressivos e de ansiedade, às mudanças de papéis familiares e sociais, às alterações na libido, ao conflito conjugal, ao ciúme dos outros filhos, ao planejamento familiar, além de sensibilizar a gestante quanto à importância do plano de parto e do acompanhante durante o trabalho de parto e parto.


Não existe um modelo único ou protocolo para o pré-natal psicológico. Cada psicólogo tem autonomia de desenhar seu modelo de trabalho de forma individual ou coletiva, fazendo uso de técnicas comprovadas cientificamente e trabalhando os principais aspectos emocionais e psicológicos apresentados pela gestante. Este tipo de intervenção, quando realizada corretamente, é capaz de prevenir a depressão pós-parto e reduzir o baby blues, principais alterações psicológicas que ocorrem no puerpério.

Para trabalhar com a Psicologia Perinatal é necessário já ser um psicólogo formado e especializar-se na área através de um curso de pós-graduação, mestrado ou doutorado. Ter experiência clínica no atendimento psicoterápico a pacientes adultos e famílias também ajuda bastante no processo de tornar-se uma psicóloga perinatal – já que a grande maioria de profissionais da área é mulher.


Além da realização do pré-natal psicológico, uma psicóloga perinatal pode:


· Auxiliar mulheres/casais que têm dúvida a respeito de ter ou não um filho (ou mais filhos);

· Oferecer suporte emocional a uma mulher/casal que se depara com uma gestação inesperada;

· Acompanhar e auxiliar na vivência da fase das tentativas de engravidar;

· Auxiliar na compreensão e no enfrentamento de dificuldades na fertilidade;

· Acompanhar o processo de reprodução assistida;

· Oferecer suporte emocional durante uma produção independente;

· Promover a elaboração do processo de luto em caso de perdas perinatais;

· Orientar e oferecer apoio psicológico em casos de dificuldade na amamentação;

· Oferecer informações e orientações a respeito da rotina dos bebês;

· Auxiliar na formação de vínculo entre mães/pais e bebês;

· Realizar psicoterapia durante o puerpério, inclusive em sessões domiciliares;

· Realizar psicoterapia conjunta mãe/casal-bebê.


São diversas as possiblidades de atuação de um psicólogo perinatal. Se você está em uma etapa de seu ciclo de vida que envolve tomar decisões sobre maternidade, paternidade, parentalidade ou conjugalidade, uma psicóloga perinatal pode te ajudar. E se ficou curiosa(o) a respeito da psicoterapia conjunta mãe-bebê, aguarde a próxima publicação sobre o assunto.



Autora:

Carolina Aita Flores, psicóloga perinatal



Referências:

ARRAIS, A. R.; MOURÃO, M. A.; FRAGALLE, B. O pré-natal psicológico como programa de prevenção à depressão-pós-parto. 2014.


SCHIAVO, R. A. A expansão da psicologia perinatal no Brasil. s/d.

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