• Claudia Henrich Lopes

Você já ouviu falar em Terapia do Esquema?

A Terapia do Esquema é uma nova abordagem psicoterápica, que faz parte das terapias cognitivas. Quando desenvolvida, pelo autor Jeffrey Young teve como principal foco tratar pacientes com Transtornos de Personalidade e pacientes que após alta da Terapia Cognitivo Comportamental pelo alívio e até mesmo extinção de sintomas, retornavam ao consultório com as mesmas queixas iniciais.

Assim, esta modalidade apresenta-se como inovadora e integradora à medida que tem como enfoque a apropriação de várias abordagens do campo da psicologia, expondo


um tratamento rico e unificador. O autor descreve que a abordagem pode ser utilizada tanto por pacientes com sintomas mais leves, como por indivíduos em extrema situação de sofrimento.

No cenário clínico é corriqueiro ouvirmos pacientes relatar que conscientemente entendem os processos que estão vivenciando, mas, ainda que com muito esforço, não conseguem sentir-se de maneira diferente. Nesse sentido, a terapia do Esquema assume um papel importante ao trabalhar com esta modalidade mais intensa e vivencial.

A Terapia do esquema é dividida em duas fases. Na primeira, terapeuta e paciente buscam por um vínculo seguro, tornando o processo terapêutico um lugar em que o paciente se sinta confortável. Após isso, inicia-se o processo pela busca de esquemas ativados no paciente. Isso pode se dar por meio de questionários, associação com filmes, livros, músicas, sonhos. Paciente e terapeuta trabalham como um time, descobrem juntos quais são as “raízes” do sofrimento deste indivíduo.

Após o vínculo estabelecido e esquemas definidos, o terapeuta pode fazer uso de técnicas experiências, vivendo dentro do consultório cenas que foram traumáticas na infância e adolescência do paciente e que estão conectadas em dificuldades presentes.

Feito isso, inicia-se a segunda fase, que tem como principal objetivo a mudança esquemática do paciente. Isso significa: criar estratégias cognitivas e comportamentais para transformar as respostas que o paciente dá ao ambiente em situações aversivas.

Gosto do exemplo que é como se o paciente utilizasse uma armadura para proteger-se e, por usá-la por muito tempo, tanto que não consegue mais se ver sem ela. O que pode assustá-lo quando falamos em mudanças. Nesse sentido trazemos a importância do apoio emocional. Imagine você utilizando uma roupinha, quente e segura da sua infância. Agora, tente visualizar você, enquanto adulto tentando utilizar essa mesma roupa. Sufoca. Aperta. Mas é seguro, eu sei onde estou pisando. Assim trabalha-se com a Terapia do Esquema. Busca-se novas estratégias, que condizem mais com o que está vivendo no hoje.

Trabalhar a autoconfiança, estabelecer autocuidado, autoconhecimento e permitir-se cuidar e ser cuidado. Repare, são aspectos importantes e de vínculo afetivo rico. Nesse sentido a Terapia do Esquema mostra-se completa. Trabalha-se sim com cognições e comportamentos, mas vai-se além. Busca-se por aquilo que dói por não ter sido suprido. Ainda que para o paciente isso não esteja claro e possa ser de ordem muito inconsciente.

Apesar das fases e etapas bem definidas, o terapeuta deve se preparar para enfrentar possíveis resistências do paciente em executar tarefas que impliquem em uma participação mais colaborativa no processo terapêutico. Nesse sentido, não há uma rigidez excessiva em relação às técnicas, abrindo espaço para uma maior criatividade do terapeuta na condução do processo. Lembrando da importância da empatia e respeito ao tempo e limites do paciente.

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